terça-feira, 31 de janeiro de 2017

SOCIEDADE_SEM_CURA


Tudo começou numa tribo há muito tempo atrás quando nós, homens, resolvemos matar nosso pai para copularmos com nossas irmãs num ato de revolta perante o desejo sexual proibido e a homossexualidade que estava se instalando no grupo que era expulso da tribo devido à violação do tabu do incesto onde só era permitido ao pai copular com as filhas para propagar a espécie da tribo. Matamo-lo, comemos da sua carne e bebemos do seu sangue num culto de absorção à sua sabedoria, mas imediatamente nos sentimos culpados e o pai se tornou onipresente em nosso imaginário. Tratamos logo de criar totens gigantes num culto em sua adoração como forma de aliviar nossa culpa perante o incesto que agora, sem sua presença, era permitido. Com o passar do tempo nossa família se espalhou pelo o mundo mudando o sentido de unidade para polaridade dando-nos uma consciência onde nossa culpa ficou cada vez maior ao ponto de começarmos a conhecer um estado mórbido de irritação do sentido do tato. A culpa do incesto no ato de tocar nos levou à percepção das pulsões sexuais e agressivas como algo extremamente demoníaco no corpo. Surge daí então as religiões como forma de organizar a “irritação do sentido do tato” através da união das polaridades onde cada família terá sua forma de culto para aliviar sua culpa numa lógica própria nas assim chamadas culturas. No entanto, assim como adquirimos uma consciência na separação da unidade o mundo também se dividiu em polos: Ocidente e Oriente, adquirindo sua consciência. O Oriente percebe o símbolo como algo em movimento que os conecta novamente com a unidade divina numa união saudável com a realidade e a imaginação através da integração das forças opostas onde corpo/mente são um só, como é o caso da filosofia Taoísta. Já o Ocidente, que cada vez mais nega o corpo como algo demoníaco nos submeteu às leis de “Deus” através de dogmas para alcançarmos a cura, ou seja, não podemos aceitar o corpo e consequentemente unir as polaridades, mas podemos nos unir com a massificação do pensamento e assim alcançarmos a divindade. Enquanto o Oriente evoluía na cura com os seus símbolos e antropofagicamente absorvia a obscuridade da natureza, não rejeitando cobras, morcegos e larvas como alimento e, o sexo como algo sagrado para se alcançar a divindade, o Ocidente ficava cada vez mais doente com a negação do seu polo oposto criando o diabo como um bode expiatório para explicar que o mal está fora de si numa lógica antropoêmica da cultura, onde a natureza, com sua obscuridade, não tem nada de reflexo no homem. Mas, ei que chega um homem com a cura e diz: “Comei do corpo do pai e bebei do seu sangue e não te culpas por isso, aceita o teu corpo que a gora o pai habita.”, seu nome era Jesus. Porém, muitas coisas de interesse já haviam se formado desde quando matamos o pai; o ocidente agora se encontrava dependente da doença, ele rejeita a cura pondo-a na cruz e abre caminhos para o progresso. O homem ocidental, com sua religião pagã, se preocupa cada vez mais em dominar a natureza numa forma de controlar o mal. Achando assim acabar com ele, começa uma espécie de epidemia no mundo em nome do homem que colocaram na cruz, numa tentativa de voltarmos à unidade através da catequização, fazendo com que o oriente se delimite em seu território com sua muralha e preserve sua cultura com o símbolo da sua linguagem. No entanto, para o progresso alcançar o seu ponto máximo era preciso agora se libertar das garras da religião pagã num processo de entrega aos instintos para adquirir uma nova luz que desse uma guinada ao progresso. Nada melhor para uma sociedade emergente que estava se estabelecendo com vendas de produtos que satisfaziam os instintos sem atingi-los realmente, ou seja, eu livro sua monotonia pagã através de uma satisfação estética e assim parecera que realmente você toca na realidade – a burguesia. Dá-se o grande salto onde nem muralhas, nem símbolos escapariam devido a grande veracidade de achar está tocando em algo real, onde o sentido do culto perdeu seu valor para os objetos. O ocidente passa a dominar os fenômenos da natureza através da filosofia de Descartes e a física de Newton, tudo se resolve com leis matemáticas exatas. O corpo passa a ser uma máquina que basta um reajuste para ele voltar a funcionar como antes. E assim as polaridades se tornam cada vez mais distantes umas das outras, se instalando nesse espaço, ícones como formas de percebermos a realidade de modo estático, parado, sem movimento e consequentemente doente, uma vez que a vida é puro movimento. Existe uma grande diferença entre ícones e símbolos, esses, os símbolos, têm movimento e várias interpretações, enquanto que os outros, os ícones, são parados, presos em um só significado, são marcas estáticas. Os ícones personalizaram os objetos e o ser humano se tornou um objeto, perdeu seu sentido subjetivo. Tivemos um progresso linear, unilateral, e agora o outro lado se mostra até para quem não quer ver. O oculto foi atingido. O trágico se revela na matéria que já não se sustenta em si mesma e o mundo parece caminhar para a destruição.....

domingo, 29 de janeiro de 2017

O_QUE_OS_JOVENS_ESPERAM_DA_SOCIEDADE


Sim, é verdade! Eu bem lembro o dia em que me disseram que eu teria que ser igual a eles, como uma espécie de herança que eu deveria herdar para dar continuidade as leis éticas, morais e religiosas da família. Uma herança filogenética, onde o passado está presente dando continuidade ao ideal medíocre do homem adulto, herdado por gerações a fio numa abertura para o controle científico que não desiste de nos coagir, estando por tanto a quatro gerações ou mais na frente dos adultos. Pobres pais que herdaram suas heranças filogenéticas achando que estariam preservando um tesouro familiar, não perceberam o jogo cientifico que os aprisionaram numa crise loba de juízo juvenil onde o novo nunca existiu. Não quero dizer que a herança filogenética tenha que ser abolida em nome de um anarquismo promovedor de delinquência juvenil, mas uma transformação dos valores éticos, morais e religiosos numa adaptação ao novo e, consequentemente, a abertura para uma vida mais humana. Ah! O novo... O jovem pai que ao ver-se no espelho viu um falo e percebeu que sua existência era se enfiar em buracos e ditar leis, sendo um ser-para-o-outro numa continuidade da moral edipiana familiar, não sabendo ele, pobre coitado, que a verdadeira moral zomba da mora! O falo penetra então no filho como um juiz que dita à lei que proíbe o incesto numa formação ditadora da personalidade. No entanto, afirma-se ai uma identidade paterna superior a tudo e a todos agarrada a uma herança filogenética onde a lei no futuro se voltará para a proibição do filho se tornar homem numa oposição ao novo, visto que esse novo botará em risco sua identidade narcísica de homem-juiz-macho na qual foi constituída em cima de uma relação social-pessoal não humana. Pobres adolescentes vivem num passado-presente onde o futuro é agora devido às heranças filogenéticas imutáveis herdadas pelos seus pais impedindo ambos, pais e filhos, de perceberem o avanço tecnológico da ciência que personalizou os objetos e objetou os humanos num triunfo ao controle, provocando assim a busca desenfreada e sem escrúpulos pelos objetos e quem for pego roubando os objetos dos outros vai para uma instituição onde lá permanecem trancados sem nenhuma atividade que lhes faça se perceberem como o “novo” que tem muita coisa pra ensinar e aprender sobre o mundo. Sendo as instituições armadilhas do sistema de controle científico sobre o ser humano. Não que dizer aqui que a ciência positivista não é válida, mas sabemos da sua preocupação em objetar o ser humano para ter controle sobre a variável. O jovem espera da sociedade uma compreensão de um novo mundo onde as troca de ideias é fundamental para se equilibrar a humanidade tecnologicamente desumanizada. Ele quer mostrar suas potencialidades, mas o mundo adulto fecha as portas para isso obrigando-o a ser como o mundo quer que o adolescente seja – uma espécie de robô sem defeito de fabricação. Temos que olhar pra nós como a composição de um novo homem cujo filho é o pai que deve ir em frente sem olhar para trás numa visão profética do presente que constitui o futuro de um homem ideal.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

INTELIGÊNCIA


A inteligencia vem da capacidade de observar os detalhes do mundo real numa troca de informação com o mundo imaginário da psique através dos símbolos, no qual irá constituir uma percepção cada vez mais detalhada do eu e consequentemente do mundo ao redor. Essa capacidade de troca, entre esses dois mundos paralelos, forma um mundo simbólico cheio de criações numa linguagem unificadora. A criação é um processo espontâneo na criança, que é uma característica da inteligência, no entanto o ambiente familiar em que ela se encontra irá estimular ou diminuir a capacidade de simbolizar o seu mundo perceptual numa integridade mais compreensiva do seu ser-no-mundo, sendo a leitura ou estorinhas contadas pelos pais um grande estimulo simbólico desenvolvedor da criação. Porém, na medida em que as crianças vão crescendo se deparam com um mundo adulto já criado onde sua capacidade de simbolizar vai diminuindo espontaneamente visto que tudo já está pronto e é só desfrutar, tornando o pensar, criar e simbolizar cada vez menos importante em nome do imediato mecânico dos produtos tecnológicos num aprisionamento intelectual. Já estando tudo criado só resta ao jovem colecionar o maior número de "ícones" possíveis, ou seja, absorver teorias cientificas ou objetos personalizados visto que: quem absorve a ambos é inteligente, quem absorve só os objetos é apenas normal e quem absorve as teorias sem abrir mão das simplicidades da vida é um louco. Ser só inteligente não da direção à vida, torna-a rasa desprovida de significados onde as coisas simples da vida são descartadas em nome de uma postura adulta padrão sem um sorriso na mão, cheias de defesas onde a sabedoria é algo de intuição que a infância possuía. Sábio é saber para onde a vida caminha com a humildade de perceber que cada dia é diferente do outro numa consequente inteligência de ser o que é e não o que querem que você seja.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

APOCALIPSE_DE_SÃO_JOÃO

Estamos no meio do caminho entre o reino dos Homens e o dos Anjos como evolução da consciência criativa de Deus. Começamos com o reino Mineral (1), depois o Vegetal (2), o Animal (3), o Hominal (4), até finalmente chegarmos ao reino Angelical (5) como nossa quinta consciência evolutiva. Daí o porque de termos 5 movimentos para abrir a passagem dimensional. Os Anjos se comunicam através de símbolos e seus movimentos contidos neles como linguagem que envolve todo o mistério em torno da Cabala. É preciso ser inciado nos seus mistérios para conseguir se comunicar com Deus sendo as "Experiências de Quase Morte" (EQM) uma forma de iniciação sem envolver religiões iniciáticas. Esse é o mistério da nossa existência: assim na Terra como no Céu! Por isso as religiões são tão poderosas uma vez que o mundo é mágico. O Apocalipse de São João nos conta o fim do reinado dos Homens sobre a Terra e o início do reinado dos Anjos como transição de consciência, é uma catástrofe psíquica e não física, mas que pode acabar se refletindo no mundo físico uma vez que os Homens não vão entregar de bandeja o seu reinado para os Anjos. Por mais que ansiemos uma experiência espiritual ninguém quer "morrer" como homem e renascer como anjo tendo a "morte" como implicação direta dessa experiência. É nesse contexto que se formou o reino dos Homens: o medo da morte! Estão percebendo como é complexo o assunto? Venho desenvolvendo uma linha de pesquisa nesse sentido desde que me formei em Psicologia e recentemente descobri o "movimento" como algo que muda o campo morfológico da matéria abrindo "bifurcações" na realidade que mudam e direcionam nosso destino. É bem parecido com o filme "Dr. Estranho" e as "dimensões espelhadas" abertas a partir de "movimentos". Foi quando cheguei nas "artes marciais" e seus "movimentos" unindo "Meditação", "Kung Fu" e "Tai Chi" relacionado-os a pratica do surf me apropriando do conceito "Zen_Surfismo" cantado por Lulu Santos que com certeza é um iniciado em Cabala.

1º_MOVIMENTO_DIMENSIONAL



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

PRANAYAMA

Meditação Pranayama é o conhecimento e controle do Prana que é a fonte de energia do universo contida em todos os seres vivos agindo como um meio de conexão entre corpo e mente. Para o Iogue, é a expansão da bioenergia no corpo humano através da respiração consciente e estruturada. Yama significa "disciplina" e designa o ajuste das uniformidades da consciência pela prática constante obtendo o controle do ritmo da respiração. Basicamente trata-se da conscientização e retenção do fôlego como fonte de energia no organismo penetrando os níveis mais elevados do yoga trazendo vigor, saúde e paz interior na vida de quem busca essa pratica.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

TORNANDO-SE_O_QUE_É!

Lembro-me bem o dia em que estava ficando com idade avançada para ser alguém na sociedade, precisando urgentemente de uma saída para o mundo como forma de situar-me em mim mesmo a partir do que está fora. Havia acumulado até então, para poder acontecer esse inesperado fato, apenas pistas de bicicross e ondas do mar. Simples esportes radicais que não me deram lugar social, apenas satisfação pessoal. Mas, foi justamente aí onde o corpo é exposto em espaços suspensos com articulações não usuais, que passei a acumular experiências corpóreas vindas totalmente de fora, num acumulo de forças que estavam além da minha capacidade de percepção pelo simples fato de ainda permanecer com os olhos fechados.

O que parecia ser meros acúmulos de experiências ontológicas, na verdade, eram quantidades de força acumuladas nas praças da cidade e nos mares que irrompeu subitamente na pele ao abrir meus olhos, levando-me a enxergar até mesmo o que não se enxerga. Condição exata para um psicólogo clínico, visto que sua profissão tem a função de iluminar pontos obscuros que dificultam a vida das pessoas, principalmente nos dias de hoje uma vez que elas estão inseridas num contexto tecnológico onde a banalização de imagens virtuais dificulta ainda mais a entrada dessa luz.

Porém, a grande dificuldade hoje é que não existe mais apenas um único caminho, iluminado pela lente ocular do psicólogo a partir de sua escolha teórica. Os caminhos agora são múltiplos, versáteis, onde é preciso agenciá-los, estabelecer redes com coisas antagônicas e, o que é mais importante, saber descartar imagens que impedem a abertura de passagens. O novo psicólogo se estabelece como um educador que ensina, frente aos seus clientes, o manuseio virtual de ferramentas tecnológicas que abram caminhos na perspectiva de uma vida melhor a cada manhã, a partir da concepção teórica das abordagens psicológicas com o dom de olhar o que serve e o que não serve, para daí, alcançar, através de conceitos filosóficos atuais que denunciam pontos políticos de controles estratégicos no mundo, a ruptura precisa para se mover no caos atual. 
           

Nessa ótica, a clínica deixa de ser um lugar fixo e preestabelecido por conceitos estruturantes, localizados numa sala de um consultório qualquer, para apresentar-se como uma dinâmica dos corpos inseridos num contexto móvel e virtual que engloba todas as coisas, transformando qualquer estrutura sólida em fluxos que proporcionam passagens intensas de devires e formas imperceptíveis, onde pratica e teoria andam juntas a partir de um olho clínico que tudo vê, constituinte de uma subjetividade Ciclotron - leitura eletrônica do Ciclope. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

MANIFESTO_CICLOTRON

Existe uma linha muito tênue entre imaginação e realidade bastante discutida por filósofos que passa ao conhecimento de todos a partir da mudança de paradigma da “Física Clássica” para a “Física Quântica” abrindo as fronteiras do possível. Trataram logo de vigiar “tais fronteiras” para que as pessoas “comuns”, sem instrução, não pudessem transitá-la e extrair daí percepções aguçadas sobre a realidade entre humanos e máquinas.  O final do século XIX é marcado por descobertas em todas as áreas no campo das possibilidades da interferência do pensamento sobre a matéria, agora que ela virou onda e deixou de ser apenas partícula sólida, o impossível se torna realidade através de um “Realismo Fantástico”. Freud trata logo de criar a teoria que iria vigiar as “fronteiras do possível” e chama Jung para ser seu braço direito que nega e cria uma psicologia do “inconsciente coletivo” carregada de simbolismos alquímicos como abertura das fronteiras psíquicas das possibilidades. O século XX será então marcado por essa “vigilância & punição” das “fronteiras do possível” tendo a Psicanálise à frente em todos os campos de conhecimento. O que está em jogo nessa fronteira é a relação entre humanos e máquinas e a nossa entrada no “Realismo Fantástico” como “possibilidades” através do Cinema e depois da TV. Nesse contexto surge então direto dos “perigos e prazeres da confusão de fronteiras” do “Realismo Fantástico” um Ciclotron disposto a se manifestar contra seus vigilantes abrindo caminho para novas possibilidades, novos olhares sobre a matéria e transformação sobre o que se deteriorou. No caso o que se deteriorou foi a Psicologia que ficou a sombra da Psicanálise durante 100 anos, lacrando-a para que não pudesse ver o sol. Mas no seu tempo o sol começa a entrar pelas ataduras e a Psicologia parece ressurgir no Brasil como uma fênix no resgate do seu experimentalismo estético que amplia a visão transformando a matéria através dos símbolos e suas configurações geométricas. Ciclotron é a arte de enxergar a ciência que decodifica o caleidoscópio social. Espécie de subjetividade fundida e fabricada pelas engrenagens das máquinas da modernidade. Leitura eletrônica do mito Cíclope como alternativa ótica para transformar os espaços sociais através da visão.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A_JORNADA_DO_HERÓI

"É preciso não contar demasiadamente com Deus,
mas talvez Deus conte conosco...".

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017