terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

NOSSA CARNE É DE CARNAVAL II

Nossa sociedade contemporânea é um carnaval. As pessoas não tiram as máscaras. Daí o conceito apocalíptico da Babilônia em que estamos inseridos. Se todos os dias estamos celebrando o carnaval é porque nossos egos estão inflamados. Babilônia em chamas.  Vampiros vagam pelas ruas dia e noite com suas máscaras sempre sugando a alma natural de alguma pessoa com sua filosofia. Agora eu sei o que são os “anjos”: máscaras! Imagens que mascaram pessoas consumidas pelo tempo formador do ego. Ego consumido pelo conhecimento acumulado: memórias. Carnaval eterno que insiste em negar sua própria morte, impedindo que o sol raia. Mas o sol sempre raia para quem consegue enxergá-lo. Pobres criaturas que vagam na escuridão pagã da Natureza em busca de almas para sugar sua luz. Sugam o perdão luminoso na escuridão da memória que não deixa o ego morrer: mortos vivos! Não existe liberdade enquanto houver ego. Não precisamos de tempo para conhecer e adquirir conhecimento sobre o que se passou. Isso são apenas memórias e memória ainda é ego – escuridão. Permitir-se ao esquecimento não tem liberdade maior.  A liberdade está na percepção dos instantes. Captura automática do que serve e do que não serve. Seleção artificial dos instintos. Movimento não tem nada a ver com velocidade. O que dizer da fotografia?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Equal ft. Gary Jules - Lost in the Evening (Follow Me Remix) (Free Downl...

NOSSA CARNE É DE CARNAVAL

No dia 25 de dezembro celebramos o nosso nascimento através do bebê cósmico chamado Jesus Cristo cuja representação simbólica é o Sol. Após o nascimento é hora de sentir o amor no encontro com a natureza obscura da nossa morada no planeta Terra através do Carnaval. No Carnaval celebramos a alegria do amor carnal como forma de reconhecimento do nosso novo corpo terrestre. Esse encontro carnavalesco do Sol com a Lua tem como objetivo a morte na transcendência da nossa natureza terrestre. Daí o medo de se entregar de corpo e alma ao amor por temermos a morte. Mas a morte é necessária para a transcendência do corpo. Após a morte da nossa carne durante o Carnaval, ficamos submersos no líquido hermético (mercúrio) por 40 dias a espera da ressurreição. Período esse denominado Quaresma que antecede a Páscoa. Com a Páscoa renascemos em um novo corpo agora Andrógino, representado pelo Ovo onde o Coelho fertiliza o mundo com harmonia e paz através do Homem primordial representado por Adão. As confusões dualistas Sol/Lua, Homem/Natureza, que colocam o mundo em guerra, é finalizada e o paraíso na terra estabelecido. Esse é o caminho correto que devemos seguir. Não devemos temer o amor com sua implicação mortífera da carne. Temos que transcender as ilusões do amor-carne-natureza encontrando o paraíso na Terra. É como atravessar o espelho. Infelizes daqueles que temem a morte por que não vivem o amor. Tornam-se prisioneiros da carne sucumbindo à sedução da Natureza, propagando um mundo de miséria e desamor onde o Poder contra essa Natureza, que é feminina, impera. Impedimento de atravessar a Natureza (o espelho feminino) por temer a morte. A morte é nada mais nada menos que uma ilusão da Natureza como forma de aprisionar o Homem às suas fatalidades e caprichos alimentando-se dos seus medos. Nesse sentido o Diabo é uma mulher que se alimenta do medo da morte no Homem. Vencer a Natureza é vencer o medo da morte. É vencer o medo do feminino no Homem, encontrando a verdadeira Natureza Cósmica Holográfica do outro lado do espelho. As Mulheres são de natureza obscura e os Homens são de natureza luminosa. Ambos caíram na escuridão feminina da Natureza. As Mulheres precisam do Homem para iluminá-las como forma de livrarem-se da sua obscuridade natural, encontrando a morte transcendente e ilusória na luz dos Homens. Por sua vez os Homens não devem temer o escuro feminino e sua morte ilusória como forma de transcender sua natureza obscura (o poder) e encontrar a felicidade eterna do outro lado do espelho onde feminino e masculino harmoniza-se rumo a uma nova morada na Terra e no Cosmo.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Sonique - Feels So Good (Saud Albloushi Bootleg) [Video Edit]

CARNAVAL AFROCIBERDÉLICO

Em uma sociedade que se deve negar duas vezes (a si mesmo e o outro) para poder afirmar-se, saber que existem quatro dias onde a afirmação é permitida e, mais ainda, celebrada, é de se esperar com entusiasmo sua chegada. Mas não basta saber que existem quatro dias e coisa e tal, isso todo mundo sabe e tem os que se negam tanto que chegam a odiar o dia da afirmação. Pura falta de senso de humor, de afirmação, comunhão, partilha. Partilha de seus bens mais valiosos, falta de carnaval no coração. É preciso entregar-se a experiência Carnaval e atingir outro estágio da realidade social: a afirmação. Afirmação do amor, da beleza... Beleza de afirmar sabe-se lá o quê, mas o importante é afirmar. Mulher, homem, criança, todos afirmando, amando, contagiando o mundo numa odisseia transcendental afrodisíaca. Fica a experiência afirmada no corpo como tatuagem imaginária. E o amor nunca mais morre. E de carnaval em carnaval vamos ficando cada vez mais bonitos, contagiando a sociedade com o vírus da afirmação e do amor. E o mundo explode de alegria numa epidemia global fabricada na antena fincada na lama do meu quintal Manguetown. Afrodisia das flores que perfuma a fedentina pernambucana coronelista que insiste em jogar merda no ventilador de uma cidade esquecida às baratas. Mas a afrociberdelia carnavalesca dos nossos batuques e ritmos soltos, sem falar das flores, invade agora as terras dos coronéis com a força do cangaço de Lampião, meu cangaceiro encantado. E assim aguardamos mais um carnaval, entusiasmados com o que nos aguardam na próxima experiência transcendental afrodisíaca das flores de Pernambuco.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Sonique - It Feels So Good

LAVANDO OS SÍMBOLOS E COLOCANDO-OS NO DEVIDO LUGAR

O Caminho que leva à Verdade é a Natureza e a sua união com o homem é a nossa Verdade Absoluta. A Verdade desperta no homem a inteligência e o amor cujo sentimento é representado pelo Sol. A coroa que paira sobre nossas cabeças. Um Cristo de luz. A luz de Deus que trazemos quando caímos na sombra, quando nascemos. Sombra que se inflama de amor pela luz que emana do homem fazendo-o desperta para o esplendor da vida por conhecer, se reconhecer e amar a sombra, libertando-se na imortalidade da alma. Homem e Mulher são um só. A natureza não é destrutiva e competitiva é cíclica. O homem carrega a luz que nenhum outro animal possui. Dessa forma o homem encontra-se acima da natureza, mas seria burrice usar essa luz para dominá-la. Sabedoria é usar essa luz para iluminá-la. A Natureza não destrói nem compete com o homem sábio e a partir dos seus deveres para com ela tem-se abundância. Todas as criaturas da terra baixam a cabeça para o filho de Deus, diz as escrituras sagradas. A ciência matou Deus, depois o encontrou na teoria da relatividade de Einstein, não falou pra ninguém e apropriou-se dele. A ciência está a brincar de Deus, não podendo mais negá-lo. Tecnologias fabricam espíritos: falso Sol. Quando se percebe que somos um só, anula-se a subjetividade, preenche-se o vazio criado pela dualidade: homem/natureza; homem/mulher, bem/mal. Deixamos de ser subjetividade para sermos objetividade. Subjetivo está para dualidade assim como Objetivo está para unidade. Subjetividades precisam que digam o que "devem" fazer, objetividades sabem o que devem fazer. Somos Andróginos, unos, objetivos. Cada Andrógino tem sua personalidade e, como são objetivos, não competem entre si e nem obedecem a deveres de falsos sois, apenas amam! Essa falsa percepção de que somos diferentes, diferentes em tudo, é a causa de toda a discórdia do mundo. Chega dessa história de que não existe Verdade e sim Verdades. A Verdade é que todos nós nascemos de um homem e de uma mulher, portanto somos Andróginos. Cada ser humano tem sua característica particular dentro da lei Andrógina de Deus.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

ZEN_SURFISMO


Fonte da Vida (The Fountain, 2006) - Trailer HD Legendado

ÍNCUBOS

Assim, vejo a energia sexual da função orgástica de Reich como algo que transcende a matéria e encontra o verdadeiro gozo na transmutação da matéria em espírito obtendo poder sobre qualquer força advinda da "magia sexual". A "função do orgasmo" teria então o objetivo de nos elevar acima dos instintos animais e não o contrário, fazendo valer a "Vontade" de Deus no mundo - "assim na Terra como no Céu". É claro que Reich tinha conhecimento sobre o "prana" do Oriente apenas omitiu para que sua teoria não caísse na classificação mística e perdesse a credibilidade "científica" que mesmo assim foi considerado um "louco" ao invés de "mistico". Diferente de Jung que foi a fundo nesse conhecimento, resgatando e preservando para nós todo o conhecimento da Alquimia da Idade Média contra essas forças subjugadoras do desejo. Na contra mão dessas duas fortes teorias psicológicas do século XX jaz a Psicanálise inserida nas bases sociais do capitalismo subjugando o homem aos seus instintos animais mais primitivos através dos desejos ardentes da matéria. Nesse sentido não admito em hipótese alguma e inserção da Psicanálise como base aplicada na clínica junguiana e reichiana. Se assim o fazem é porque encontramos ainda a covardia como princípio norteado dos profissionais da psicologia que por medo tornam impotentes duas correntes de pensamentos tão poderosas nos dadas por dois grandes homens corajosos da sua época. Será que chegou a hora de serem aplicadas de verdade, agora que o mundo parece desabar devido ao excesso de materialismo? E quem possui a RAZÃO para ter coragem? 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

UMA QUESTÃO DE ESTÉTICA!


NARCISO INVERTIDO

O homem é o reflexo da natureza e a natureza é o reflexo do homem. Quando homem e natureza se viram, morreram de amor um pelo o outro. Esse é o verdadeiro amor e não esse amor projetado pelas inúmeras máquinas de fazer cinema e televisão, um amor que nunca se encontra e quando ele acontece tem sempre uma catástrofe. O amor parece fadado ao nada, à ilusão... Shakespeare grande vilão, nos lançou um feitiço romanesco que é amplamente usado como simulacro sugador de almas. “Romeu e Julieta”: catástrofe ambiental total. Uma ilusão de que o amor existe e é impossível tocá-lo. A inversão do amor: separação radical do homem com a natureza. Ficamos todos sendo alimentados por essa energia enganadora, quando na verdade o amor está ao nosso lado (a natureza) e não conseguimos enxergá-lo. A dicotomia natureza/cultura não existe como realidade e sim como virtualidade, uma simulação. Um holograma construído a partir dos mitos. Tudo bem que os mitos sirvam para nos contar sobre coisas sagradas e mágicas que existem entre o homem e a natureza, mas daí invertê-los como forma de usar seu significado ao contrário é magia negra pura. Ora, quando se investe no contrário daquilo que liberta ficamos presos, vulneráveis ao medo que se cria quando achamos que tudo está separado, onde o Amor só existe como simulação. O mito de Narciso que deveria significar a união do homem com a natureza está colocado de cabeça pra baixo quando nos transmite a falsa separação do homem com a natureza, matando o amor e a inteligência. O positivismo científico tem como objetivo aprisionarmos num mundo holográfico sem saída onde tudo está de cabeça pra baixo. Narciso não morre e não se transforma em nada diferente do que o era, ele simplesmente, quando se vê refletido no lago, morre de amor pela natureza refletida nele. Morre de amor por si na união com a natureza e a natureza também morre de amor pelo homem fazendo surgir no lago uma flor. Não existe perigo algum no encontro do homem com a natureza. E nesse casamento do homem com ela a inteligência e amor são celebrados, não existindo morte apenas vida. Isso tudo é tão verdade que está estampado em nossa cultura globalizada, a dicotomia natureza ≠ cultura. Dessa forma invertida de ser vemo-nos fadados ao medo de tudo, medo do verdadeiro amor ao ponto de nos conformarmos com a ilusão niilista lançada por Shakespeare. “Viva Tânato” – dizem os psicanalistas através dos seus silogismos invertidos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Anton Ishutin feat Tiana - Deeply In My Soul (Original Mix)

LIBERTANDO A MENTE DO “NEGATIVO”

Tudo bem, como se fosse fácil "libertar minha mente do negativo". Primeiro eu tenho que saber o que provoca esse "pensamento negativo", caso contrário eu nem me dou conta que ele existe. O dinheiro instiga-nos os sete pecados capitais a uma proporção extrema. Isso nos desperta muitas maldades inconscientes (todos querem ser bem sucedidos). Todas as instituições estão decodificadas com medo e terror graças a Freud. Crescemos em uma sociedade onde o mal está instalado nos pilares das instituições de ensino e trabalho. Tornamo-nos adultos medrosos e sem esperança, depositando confiança num sistema corrupto que rir da nossa fraqueza. Será preciso "o entendimento dessas coisas" ocultas da vida para deixarmos de ter medo. Medo do quê? Do pai que te alimenta. Que sem ele não existe mundo (dinheiro). Não existe capacidade. Só através do “pai” existe salvação (dinheiro). Psicanálise: filosofia do medo! A paz só virá quando todos forem iniciados nos mistérios da vida. Mistérios da Cabala que universidade alguma ousou ensinar onde a Psicologia se porta como guardiã desse segredo. Não creio que alguém venha fazer isso por nós: iniciarmo-nos no mistério da vida. Nós é que temos que procurar lá no fundo do nosso coração o segredo. Não há nada na criação tecnológica que a natureza por si só não possua. O homem será engolido pelas máquinas e nunca mais verá o Sol. Temos que nos preparar para uma guerra de titãs. Só as baratas sobrevivem às radiações tecnológicas.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

War With The Senses- Joe Con ft. Shing02

Clay Marzo - Quiksilver Young Guns 3

CICLOTRON

É a arte de enxergar e decodificar o caleidoscópio social. Espécie de subjetividade fundida e fabricada pelas engrenagens das máquinas da modernidade. Leitura eletrônica do mito das Cíclopes (criaturas de um olho - Ulisses/A Odisséia) como alternativa ótica para os indivíduos entenderem e atuarem na sociedade de forma criativa visto que tais criaturas enxergam através de um olho caleidoscópico, uma vez que de dois olhos passaram a ter um só, pois se superpuseram. A combinação capitalismo/psicanálise opera uma disfunção ocular onde os objetos que compõem nosso mundo estão em constante movimento. Objetos parciais (signos) estão o tempo todo sendo criados e postos em circulação, operando uma superposição de signos constituintes de figuras simétricas, multicores e variáveis, como uma espécie de caleidoscópio cultural.  Dessa forma os indivíduos encontram-se numa situação limite para se constituírem como sujeito uma vez que faltam objetos completos (símbolos) que os representem. Perder a visão na atualidade é estar entregue as armadilhas dos instintos estimulados pelos desejos superpostos fabricados pelo capitalismo/psicanálise na busca do prazer e de uma identidade através do consumo. No que se refere ao momento atual, aconselho que, superpúnhamos nossos dois olhos para podermos enxerga essa realidade caleidoscópica inventada pela luneta capitalismo/psicanálise. Não como forma anormal de ser, mas como se estivéssemos tocando em nossa verdadeira natureza.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

ZHU Mix | Generationwhy

PERCEPÇÃO DO MUNDO II

Não, o mundo não é do Diabo. O mundo é cabalístico. Dizer que o mundo é cabalístico significa dizer que o mundo é mágico. Magia essa regida por números, letras e símbolos. No entanto existem duas forças que operam nesse mundo mágico: o bem e o mal. Forças essas representadas por Deus e o Diabo, respectivamente. O primeiro é representado pelo símbolo de Cristo e o segundo pelo símbolo do Bode. Um diz respeito ao espírito e o outro a matéria, ambos, forças opostas que se complementam. No meio dessas forças jaz o homem, pobre coitado. Pobre coitado no sentido sonâmbulo que é. O homem precisa ser acordado pelos seus semelhantes, daí a importância do Outro em nossas vidas, para nos ensinar os seus mistérios. Números, letras e símbolos são mais que artefatos para comunicação, são instrumentos mágicos no sentido mais puro da palavra. O Outro é nosso espelho. Nossa capacidade de enxergar a verdade e se libertar das ilusões do mundo mágico cabalístico. Libertados das ilusões mágicas podemos fazer mágica também, daí o amor. Ao libertar-se das ilusões mágicas encontras o amor. E nos dizem que não há nada além das ilusões. Pois há sim e é o amor. Por isso o amor não pode existir no mundo do Diabo. Entende-se “mundo do Diabo” um mundo regido pelas ilusões mágicas que nos dar uma falsa impressão da realidade. Falsa no sentido de acharmos que só existe a realidade material, descartando a realidade espiritual como nos ensinam na universidade. Quando estamos iludidos tudo falta. A ilusão provoca uma sensação de vazio, pois é ela infinita e o homem nunca ficará satisfeito com uma única ilusão visto que existem milhares. Acordar é o seu destino. Por uma finitude em sua vida, chega de vidas ininterruptas, de ilusões. Chega de papai e mamãe. Somos corajosos demais para não amarmos. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Manifesto - Official Trailer #1 [HD] - Subtitulado por Cinescondite

PERCEPÇÃO DO MUNDO

O mundo em que vivemos é do diabo, onde deus é apenas a nossa consciência que permite ver esse mundo. É um mundo de sombras e dúvidas eternas. Não é fácil viver nesse mundo. É preciso coragem para iluminar as sombras e ver nossa verdadeira natureza, acabando de vez com nossas dúvidas. A certeza de que um dia essa vida acaba. Eis nossa maior alegria: a saída do mundo das sombras! Mas é preciso não temer a morte. A ilusão de que esse mundo é real e que não existe nenhum outro é a armadilha do diabo. Temos o livre arbítrio de vivermos ou não esse mundo. No entanto dentro dessa ilusão tocamos em uma realidade completamente mágica, cheia de cores e emoções. Não devemos temer aquilo que nos pertence. Somos filhos do diabo também. Aquele que deu forma ao corpo do cosmo para as sombras. O diabo é apaixonado por deus e nesse sentido nos moldou no seu próprio mundo. Vive nos manipulando quando nos vende a ilusão de que essa é a nossa única existência, essa é a nossa única realidade possível. Quando nos engana a respeito da morte como uma condenação que será julgada... Por quem? Deus, o seu grande amor. No fundo o diabo quer ser deus através da nossa carne. É preciso não temer o diabo. Dar-lhe essa oportunidade de ser deus através de nós. Fazer o tão conhecido pacto com o diabo, como forma de ser deus no mundo das sombras e realizar a sua grande obra. Mas cuidado, pois é exatamente aí onde mora o perigo. O apego ao mundo das sombras e suas projeções, criações, mágicas, possibilidades – ilusionismo. E no exato momento em que o diabo te iludir com uma vida eterna de projeções, engana-o aceitando a morte. A procriação é uma das ilusões de vida eterna nas sombras. Quem, por ventura, desejaria viver eternamente nas sombras? Quem, por ventura, traria a luz para as sombras? É realmente um engano. Mas, de quantas mortes necessitarás para escapar das belas projeções que criasse? Das belas luzes que trouxestes as sombras? Percebe o perigo desse mundo? Acreditar nas projeções como realidades únicas. Pois que o diabo me leve para bem longe daqui. Terei quantas mortes forem necessárias para descansar no fim da minha consciência, das minhas memórias. O doce fim da vida no sentir apenas. Não refletir mais sobre os sentimentos, apenas senti-los. Sentir-se como uma estrela que brilha lá no céu sem a consciência de que um dia irá morrer.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A TERCEIRA VISÃO

Consiste em olhar o objeto com imaginação. Nada é o que parece ser e por isso é preciso seguir o coelho branco na melhor forma de criar o objeto, de transformar a realidade a sua volta através da imaginação. “De que servem os olhos sem o cérebro?” – Questiona Da Vinci. Enxergar com o cérebro é perceber holográficamente a realidade, uma realidade plástica sujeita a múltiplas formas tal qual o conto de Lewis Carroll. No mundo da comunicação televisiva o imaginário torna-se realidade, constituindo nosso inconsciente através das imagens de TV. A percepção da natureza torna-se então eletrônica, interdimensional, percepção imediata de uma terceira visão inserida no tempo sem limites para imaginar e criar.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O_LOUCO

PARÁBOLA_DA_BICILETA

As ilusões, criadas pelo giro da catraca de uma bicicleta, é do que nosso mundo é feito.  Existe uma imensa “catraca” girando no cosmo que cria essa ilusão, gerando o mundo onde vivemos e o CICLOTRON seria a personalidade que consegue enxergar as projeções ilusórias que criam nosso mundo. O CICLOTRON ver a grande catraca de projeção da realidade e passa a fazer parte dessa criação, alterando a matéria e o curso das coisas. É como se a realidade fosse produzida a partir de um imenso caleidoscópico cósmico ou se preferir – PIXELS. Somos todos hologramas de nós mesmos e estamos sonhando um sonho. Cada um está sonhando o seu sonho. Vivendo suas próprias projeções/ilusões. É por isso que os relacionamentos amorosos são tão difíceis, uma vez que ninguém pode sonhar o sonho do outro. Você pode compartilhar sonhos, mas nunca sonhar o sonho do outro como se fosse seu também. Isso está bem claro no filme “Inception”. Em outras palavras o CICLOTRON é um alquimista. E nessa época de alta tecnologia ele materializa os pensamentos através dos sonhos e cura a humanidade dos seus pesadelos. Que legal ter se lembrado do CICLOTRON a partir desse invento CICLOTRÓPICO, só assim eu pude explicar melhor minha proposta artística.

ZHU - In the Morning

SOUND_OF_MY_VOICE


Nunca fomos tão bem cercados por coisas materiais vistas na história, porém tal "segurança" material criou um abismo em relação ao nosso espírito porque sabemos que todos nós iremos morrer um dia. Quanto a isso surge a pergunta que não quer calar: afinal, quando morremos para onde vamos? Daí o "espírito do tempo" pairar em torno do niilismo onde a busca por um conforto também espiritual torna-se uma necessidade visto que o crescimento material é diretamente proporcional ao crescimento populacional. Sendo assim vemos surgir cada vez mais charlatões vendendo um "conforto" espiritual nas figuras parentais destruídas pelo materialismo cujas "seitas" simulam sólidas percepções de pertencermos a uma família espiritual que nunca tivemos em termos materiais. Vemos então a "Constelação Familiar", criada por Bert Hellinger, tornar-se uma espécie de "seita" tomando proporções absurdas entre os psicólogos uma vez que "estreita" o abismo entre matéria e espírito "ressuscitando" os sujeitos das suas covas individuais como zumbis pacíficos que voltaram a ocupar um lugar familiar na sociedade. Quem por ventura ainda quer ser um sujeito diante das infinitas possibilidades da razão?

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Sound of my voice trailer subtitulado

IMORTALIDADE_DA_ALMA


Nesse exato momento, diante do sol do sertão, nas margens do rio São Francisco e no segundo andar do apartamento, sinto-me marcado pela vida através das minhas memórias. O surfe é sensação constante desde que me conectei com o cosmos em 1997. Estar livre de qualquer desejo é a sensação que marca até hoje, fazendo com que o meu desenvolvimento psicomotor, adquirido com o surfe, tenha sua eficácia no que diz respeito a minha sanidade. De repente os desejos batem a sua porta e você fica completamente maravilhado e se entrega. É como se o universo em que vivemos se movesse pelo desejo e ao identificar uma máquina desejante celibatária, ou seja, desconectada do desejo, envia modelos de realização padrão com a qual a máquina sonha, não resistindo ao desejo, ao universo, a paixão. Então o amor é abstração. A condição do amor direcionada a uma única pessoa é mito. Não existe distinção entre amor sexual e amor fraternal ou paternal. O desejo perpassa essas representações, daí o tabu do incesto, causando uma confusão imensa nas máquinas desejantes. O amor está na abstração do orgasmo, quando a máquina desejante é desliga de seu desejo, morre e nasce novamente, religando-se ao desejo nas sensações dos órgãos, agora renovados. De quantas mortes você precisa para perceber o amor? De morte em morte chega-se ao amor como abstração das coisas no universo. Viagem cósmica que transcende todos os seres humanos e seu universo, uma possibilidade infinita de conhecimento. E o mais incrível é que os universos estão contidos em nosso próprio corpo. O corpo é o meio entre a terra e as estrelas, sendo o sexo sua ignição, sua conexão entre corpo e mente.  Penso que estamos muito distantes desse sentimento. São milênios de anos focados na concepção errada acerca da morte. As pessoas que detém o saber exercem-no para obter poder sobre as outras pessoas e nesse sentido privam as suas mortes como forma de impedir que elas sintam a vida na morte e acordem para a maravilha da vida e assim a percepção da importância da memória para a constituição do universo em que vivemos. Esse amor que insiste em passar todo o instante pela minha carne é sensação eterna de morte. Sensação eterna de imortalidade. Sentimento de beatitude que me da vontade de gritar, calar.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

The OA (2016) || Trailer Legendado [HD]

CIBERNÉTICA_E_O_ESVAZIAMENTO_DO_SUJEITO

Confesso que a cada noticiário que assisto, indago-me se ainda existe alguma estrutura ou recalque que nos signifique nesse mundo contemporâneo. De repente, numa manhã de um dia qualquer, um avião choca-se contra uma das maiores estruturas de concreto já feita na historia da construção civil mundial, anunciando que nossas certezas mais sólidas estão longe de serem inabaladas e que o fim de uma sociedade está próximo. Sim! Porque, uma sociedade se estabelece a partir de códigos que injeta uma estrutura no cidadão cuja funções lhe cabe realizar para que ‘isso’ funcione em códigos.

Os código e depois os sobre códigos, foram destruídos em nome de uma axiomática cientificista, que através da dominação das leis naturais passou a criar um mundo industrialmente artificial, colocando diante nos nossos olhos verdades concretas a partir do que se podia ver, sentir e tocar, como fronteiras fixas que logo se afrouxariam na ultrapassagem de nossas condições humanas uma vez criadas sob o jugo dos códigos e sobre códigos. A axiomática cientifica, dá lugar a um novo tipo de sociedade que agora se estabelece através de verdades que a todo instante estão se deslocando para outras verdades num misto de realidade e virtualidade que vai além da capacidade humana de assimilação territorial.

Longe de estarmos seguros diante dessas desterritorializações axiomáticas causadoras de incertezas e na tentativa de preservar nossas capacidades humana, a sociedade cria um modelo de cidadão consciente de seus atos, constituídos a partir de funções voltadas para criação dessa nova sociedade, não importando se o que se fazia era bom ou mal, mas o importante é que condizia com a axiomática da construção de um novo mundo a partir do sujeito.

Porém, não bastava só a axiomática pedagógica para que o cidadão, tornado sujeito, pudesse se sentir bem nas desterritorializações que o desumanizava, era preciso criar uma nova ciência que respaldasse os comportamentos futuros desse sujeito para assim avançarmos nessa construção. Eis que surge então a Psicologia com suas respectivas escolas: Funcionalismo: “como ‘isso’ funciona?”; Estruturalismo: “como ‘isso’ se estrutura?”; Behaviorismo: “estrutura-se a partir de princípios pavlovianos”; Psicanálise: “estrutura-se de um recalque – Édipo”; Humanismo: “abaixo o racionalismo. O que importa são os sentimentos dos enunciados linguísticos”; Pós-estruturalismo: “não há estrutura, apenas um processo híbrido de humanos e máquinas”.

A ideia é que estávamos diante de uma nova sociedade que não iria parar de crescer diante das múltiplas possibilidade de invenção industrial passível de um possível caos, onde as escolas psicológicas vão introduzindo estudos gradualmente modelados de acordo com os avanços axiomáticos da ciência num sentido de estabelecer um poder sobre a variável.

Tudo ia bem, na América, com o behaviorismo concebido como a escola mais eficaz, até o momento em que fluxos desterritorializados são deixados escapar pela boca de um filólogo chamado Nietzsche, pondo abaixo, não só os conceitos axiomáticos da escola behaviorista, mas denunciando as desterritorializações científicas que se achavam mergulhadas no campo da incerteza, inserindo na filosofia o conceito de inconsciente, antecipando descobertas de cientistas como: Groddeck e Freud.

Ao mesmo tempo que Nietzsche faz escorrer os fluxos desterritorializados da axiomática social de um sujeito critico a um autômato e irracional, antevê que, o sujeito, ao torna-se consciente do que realmente lhe acontecia, teria que passar à categoria de Super-homem na tentativa de suportar as tamanhas desterritorializações e re-territorializações que a sociedade moderna havia criado através da manipulação das ferramentas industriais, elevando o homem à categoria de máquina, abandonando completamente seu lado humano.

Toda a teoria do sujeito crítico, consciente, vai a baixo com a descoberta do inconsciente que, mais tarde, seria a ciência que viria a baixo com o advento da física quântica, onde se nós já trabalhávamos, com a física clássica, em cima de desterritorializações e re-territorializações que nos davam uma ‘certeza’ das nossas capacidades humanas e sociais, imaginem agora com a manipulação do invisível através das partículas de quanta de energia! É como se o virtual tornasse realidade. A morte se espalha anunciando que já não somos mais ‘isso’ (humanos), nem ‘aquilo’ (máquinas). A incerteza toma conta da certeza científica..... O caos parece tomar conta da ciência que não vai parar, mas avançar com a velocidade da luz na regulação dos fluxos desterritorializados na criação de axiomas, agora, atômicos.

Com o advento da escola psicanalítica através do inconsciente, somada a escola behaviorista do condicionamento reflexo, o que mais será preciso para regular os fluxos desterritorializados dos novos axiomas atômicos em relação aos nossos corpos rumo ao tão sonhado desenvolvimento capitalista?



“Será preciso que pai e filho se formem, isto é, que a tríade real ‘se masculinize’, e isso como uma consequência direta da divida infinita, agora interiorizada. Será preciso que Édipo-déspota seja substituído por Édipos-súditos, Édipos-submissos, Édipos-pais e Édipos-filhos. Será preciso que todas as operações formais sejam retomadas em um campo social decodificado, e ressoem no elemento puro e privado da interioridade, da reprodução interior. Será preciso que aparelho repressão-recalcamento sofra uma completa reorganização. Será preciso, portanto, que o desejo, tendo acabado sua migração, conheça essa miséria extrema: ser voltado contra si mesmo, a volta contra si mesmo, a má consciência, a culpabilidade que o amarra ao campo social mais decodificado, como também à interioridade mais doentia, a armadilha do desejo, sua planta venenosa.” (Deleuze & Guattari, 1976, p.274/275)

Como não há mais estrutura, todo preço será bem pago a fim de que o sócios sobreviva. Então, retomemos o lance da jogada: final do século XIX e inicio do século XX. Os Estados Unidos crescia de vento em poupa com sua escola behaviorista construindo um sujeito que a princípio era vazio para depois ser preenchido com estímulos  e respostas as mais variadas possíveis no que diz respeito à produção e consumo, moldando-o de acordo com os interesses políticos de um país que aspirava desenvolvimento monetário e consequentemente industrial. Depois, sabe-se que na Europa um neurologista chamado Freud, havia desenvolvido uma teoria do sujeito inconsciente de estrutura recalcada pelos desejos parentais, denominado de complexo de Édipo. É sabido, portanto, que “por muito tempo, na França, sobretudo – país de tradição racionalista – , a psicanálise, terapêutica do mistério, foi banida do corpo médico. Considerada no limite do ocultismo e do charlatanismo, ela foi recusada nos hospitais psiquiátricos até a segunda guerra mundial” (Desanti in Planeta, 1975, n31, p.67), por falta de provas cientificamente concretas uma vez que ela luta até hoje para se tornar ciência, classificando-se na categoria de metapsicologia.

Bom, o fato é que os Estados Unidos da América, não ligava muito para estas questões de rigor científico, vendo nas ideias de Freud um recalque possível de ser experimentado na escola behaviorista, uma vez que agora podia-se condicionar os desejos dos sujeitos a partir de estímulos que se sabia a resposta de acordo com as suas ideias: “Bernard Pingaud relata que quando Freud foi acolhido, triunfalmente, nos Estados Unidos, pronunciou uma frase que ficou célebre: ‘Esta gente não suspeita que eu lhes trago a peste’” (Planeta, Setembro de 1974, n25, p.20). Que ingenuidade, a de Freud, achar que os Estados Unidos não suspeitava a dimensão perigosa de suas ideias, sendo justamente aí, nesse perigo, o seu maior interesse para construção de um Império. 

Enquanto a Europa rejeitava a irracionalidade das ideias de Freud e avançavam nas racionais axiomáticas cientificas da nova física atômica, os Estados Unidos, com a psicanálise e o behaviorismo, elaboravam uma axiomática aparentemente ‘racional’, uma vez que a psicanálise tornava consciente o que estava inconsciente e assim assistiam de camarote o eclodir da segunda guerra mundial pela Alemanha que reivindicava uma raça pura, encontrando-se dominada pelos mistos das desterritorializações e re-territorializações dos axiomas do mundo moderno, ameaçando sua identidade somado a humilhação da derrota da primeira guerra.

Enquanto a Alemanha expulsava seus melhores cientistas atômicos, do país, os Estados Unidos os acolhiam muito bem, preparando-se para entrarem na guerra como um aliado bem estruturado com as novas ideias do mundo pós-moderno. Nota-se que desde o começo da nova física é os Estados Unidos o país mais bem preparado para o novo.
Com o advento da física moderna através da queda dos antigos alicerces da física clássica e a rejeição da psicanálise, ficou difícil para a Europa regular os fluxos de desterritorialização axiomáticos, cabendo à psicanálise junto ao behaviorismo uma eficaz regulação desses fluxos através das produções desejantes, estruturando os cidadãos para os avanços de uma vida baseada no novo paradigma tecnológico da física moderna, criando um novo estilo de vida – “American Life”. Uma vida baseada nas realizações de sonhos, a partir dos consumos de matéria prima na qual substituía os desejos primários, intensificados pela manipulação de imagens através dos aparelhos eletroeletrônicos sob o comando da mídia publicitária na propagação do fenômeno de massa. 

Porém com a explosão da bomba atômica em Hiroxima e Nagazaki, a sociedade passa a questionar às ideias da racionalidade científica, que havia criado uma bomba de destruição em massa! A partir de agora tudo poderia acontecer! É chegada a hora de negar as axiomáticas científicas em nome da vida; Psicanalistas conceituados rompem com a psicanálise; o LSD surge como um resgate as sensações corporais esquecidas pela industrialização; o caos se espalha novamente fazendo com que cada sujeito passe a reivindicar seus direitos, não aceitando mais que digam quem são, onde a partir das suas experiências empíricas perceberam o fato de existir – nascem os monstros.

O corpo do cidadão é atravessado por desejos realizáveis no que diz respeito à axiomática de estilização dos prazeres – “American Life”: ‘não fique triste por não poder ter papai ou mamãe, você pode deslocar esse seu desejo por um carro do ano! Ou se preferir por lindas Go Go Girl, e assim por diante, tereis todos os desejos que sonhas’!  Atravessado por esses desejos, o corpo do monstro fica numa bifurcação sem saber onde e quando isso realmente começou e que destino seguir, que desejos quer realizar, fugindo a qualquer tipo de significante,  inserindo-o numa confusão que o descaracteriza como humano. É! Porque o que nos caracteriza como humanos é, do ponto vista histórico, a colocação de um recalque que nos limita num espaço em relação ao outro humano, fazendo-nos conviver com harmonia em sociedade. Mas, o que acontece quando esse recalque é removido a partir das realizações proibidas num sentido extra-sensorial através da manipulação das imagens de TV? Mas o interessante nisso tudo é que os Estados Unidos, descobriu que esse desmantelo na estrutura do cidadão fazia com que ele consumisse e produzisse muito mais, numa espécie de ontologia que nos caracteriza: esquizofrênicos.

Para Deleuze e Guattari, toda essa confusão só nos fez mostrar quem realmente somos: uma mistura de máquina e humano, em suma, máquinas desejantes, uma espécie híbrida. Mérito, por sinal, que eles atribuem a Freud, mas o criticam por, Freud, ter fechado a indústria de produção maquínica, do inconsciente dessas máquinas, em um eterno consumo de papai e mamãe e nada mais, relegando o esquizo a um ‘mero trapo autista’, onde a esquizofrenia como entidade clinica, enfermidade, é a negação desse processo de hibridação industrial paralisado pelos significantes edípicos.

De fato, o capitalismo alcançou o seu auge na contradição, preenchendo o corpo do cidadão de poderes através das imagens publicitárias que alcançou uma proporção mundial na constatação da globalização, como se todo o mundo tivesse se curvado diante das imagens causadoras de um condicionamento desejante, onde países que ainda resistem a essa contradição, ameaçam-no numa guerra eminente como se a contradição estivesse chegado ao limite.

Outro fato é que já estamos em pleno século XXI, e estas contradições não param de crescer assustadoramente, onde a axiomática: Édipo, encontra-se saturada. Vemos isso todos os dias nos noticiários da TV (filhos matam pais), onde a década de noventa anunciou a chegada definitiva de uma nova cultura – a tecnocultura – com suas músicas eletrônicas rompendo radicalmente com o infantilismo neo-hippie do rock-em-roll; a internet e os celulares destruindo qualquer noção de tempo e espaço entre os seres humanos; até uma teoria indicando que foi uma década de percepção e fabricação dos cidadãos como ciborgues: corpos se eletrificam, onde uma geração inteira nasce sobre satélites no espaço que passam a fazer parte de suas vidas através de aparelhos de radiodifusão.

O Psicólogo Roberto Freire escreveu um romance de cunho cientifico a esse respeito. Tinha como fundo a investigação de uma personalidade esquizofrênica em processo, da qual ele chamou de coiote, onde faz alusão ao animal como forma de liberação da energia tecnológica contida nos corpos dessa geração: 



“ Doutor Flugel, André é um protomutante... o senhor sabe o que é isso, não? Antes pensávamos que fosse um menino doente, um caso neurológico grave e raro. Mas os maiores especialistas do mundo nos tranquilizaram. Dentro de um conceito moderno e não reacionário de normalidade, André é sadio, porém faz parte dos primeiros seres humanos de nossa civilização atual a evidenciarem mudanças radicais no comportamento da espécie... mutações...mutações emocionais e culturais.
 Quando estive trabalhando em Gainesville, na Universidade da Florida, conheci um professor de Filosofia, um homem extraordinário, apaixonado e lúcido, coisas difíceis de andar juntas na mesma pessoa. Chama-se Thomas Hanna. Teve oportunidade de conviver quase um ano com André, tornaram-se amigos. Hanna, quando tinha estado no México, em Guadalajara, em 1969, escreveu um livro muito instigante a respeito dos protomutantes. Chama-se Corpos em revolta. Ele identificou em André o exemplo mais completo e acabado dos jovens protomutantes culturais e emocionais que estavam surgindo no mundo.
 Mas, claro, doutor, tudo isso tem uma explicação. É bastante simples: despendendo uma enorme quantidade de energia agressiva, os homem conseguiram finalmente criar um novo ambiente, um ambiente tecnológico que construiu e transformou a terra em lugar que já não ignora a existência e as necessidades do homem, mas que as suporta decididamente. Por outro lado, as enormes quantidades de energias libertadas por esse ambiente estão criando um novo tipo de homem, os Andrés, os mutantes culturais”. (Freire, 1986, p.154/155)


No contexto atual da clínica, em que me encontro trabalhando com crianças, elas, as crianças, vêm à clínica com diagnósticos diversos, em que, um dos mais frequentes são o de hiperatividade. Daí a pergunta: elas são mesmo hiperativas ou apenas estão captando a energia, cada vez mais densa, da tecnologia? É sabido, até, que o termo etimológico do diagnóstico hiperatividade foi ampliado para dar conta de uma hiperatividade sem comprometimento neurológico, apresentado pelas crianças na atualidade.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

The East - Trailer [LEGENDADO]

BEM_VINDOS_À_ERA_GLACIAL: subjetividades emergentes na contemporaneidade tecnológica.

Ao se falar em contemporaneidade é preciso parar e dar uma rápida olhada a nossa volta e perceber que vivemos numa realidade outra, nunca vivida antes. Realidade tamanha que nos faz gritar, saltar! Mas, para onde? Desta vez não há mais uma história que nos signifiquem numa árvore. Penetramos em um ponto que parecia estar guardado para os deuses, elevando o homem a uma categoria sobrenatural.
           
Ano 2003. Século: XXI. Território: pós-humano. Característica: descontinuidade do ‘EU’ pela manipulação de imagens através do descartável. Tudo parece estar em queda livre: gravidade zero; gelo; glacial. Como nós, neuróticos, iremos sobreviver a essa realidade que se constitui numa complexidade das variações múltiplas de “agenciamentos maquínicos de desejo”? Em outras palavras: com que estrutura iremos sobreviver a era tecnológica? Que mapas teremos que traçar, para nos mover no espaço virtual? Mapa!? Que esquizofrenia!. Sem dúvida alguma estamos vivendo num território novo que exige um cuidado dobrado para nós psicólogos.

Há dois anos atrás, na disciplina Teoria e Sistemas Psicológicos III, ministrada pela professora Maria Teresa Padilha, durante discussão sobre atitudes de adolescentes em relação à paixão por mudar o mundo e, o que, os impediam de realizar tal feito, deparei-me com questão genealógica significantes que os obrigam a abandonar todos os seus sonhos de transformação, reforçado externamente pela manipulação de desejos contingente que desviam o jovem do seu verdadeiro caminho, impondo-lhes um poder de coação, onde a história se repete conforme sua linearidade, ou, pelo menos tenta através de recalques tais como: Édipo, Hamlet, nome-do-pai, etc.

Diante de tais questões, elaborei um trabalho intitulado: “Adolescência: direito à morte simbólica”, morte essa que faz com que o adolescente vá além da cadeia infinita das gerações, de sua historicidade “linear”, e alcance o coletivo na mais bela expressão da natureza no homem, fazendo com que o inconsciente se transforme numa indústria de produção maquínica de abstração, estimulada por desejos realizáveis em múltiplas direções através da criação artística, como única saída para uma vida autêntica onde a história não mais se repetiria.

De volta ao presente e passado dois anos de estudos investigativos no que diz respeito à psicologia e outras áreas, percebi que a história à qual me referia com violência tamanha de mudá-la e denunciava alguns agenciamentos de poder vem sofrendo uma descontinuidade cada vez mais veloz de uns tempos atrás pra cá. Para ser mais preciso: a partir do iluminismo (conhecimento científico), ‘Narciso’ olha pela primeira vez o seu reflexo e enche os olhos de amor e glória diante de possibilidades infinitas de criação pela manipulação da natureza através das ideias científicas de Newton e Descartes, onde “tempo absoluto”, “espaço absoluto”, “causalidade absoluta” encerraram-nos e cercaram os cientistas em uma área relativamente estreita, ou seja, a superfície do espelho.

A partir daí, a história só teria sua aparente linearidade enquanto durasse o reflexo no espelho, enquanto o duplo do nosso reflexo não surgisse dando-nos um susto. A figura mitológica de Pã, aparece por traz de ‘Narciso’ anunciando que o sujeito, literalmente, já não está mais em uma superfície de territórios ‘estreitos’, estruturado. Encontra-se agora em uma região nunca habitada pelo homem – o inconsciente. Zona perigosa! Habitada por monstros e serpentes; desterritorialização que intensifica o corpo do sujeito numa espécie de júbilo infantil... Ohhh! Polimorfismo dionisíaco, fabrica em nosso corpo intensidades polífonas capturadas por um buraco negro que faz conexão com as informações tecnológicas de rádio-difusão num acúmulo de informações insuportáveis; Intensidades involuntárias que logo criam um caos em nossas cabeças, onde a inocência não cabe mais e a pergunta desabrocha na consciência: quem somos nós? Onde estamos?


Fomos completamente mergulhado num vaso hermético cheio de mercúrio, como se tivéssemos atravessado o espelho, deslocados para uma terra inumana a partir do advento da física quântica – magia, pura alquimia! Haverá ainda um recalque que nos estruture numa dimensão unificada?
           
O Um que vira Dois e depois se multiplica em vários, coloca os historiadores e, nós, psicólogos numa situação difícil de re-territorializar o sujeito a fim de lhe dá uma sobre-vida através de um novo modelo recalcado, uma vez que a tecnologia avança em áreas planas de intensidades descontínuas. Será a hora de falarmos numa pós-psicologia para podermos dá conta das novas subjetividades que estão emergindo por causa dessa fragmentação do sujeito?

O que fazer para contermos todas essas informações processadas com nossa estrutura limitada pelo recalque? No entanto, é justamente aqui: nesse furo, nesse canal, ao meu ver, que a emergência da Inteligência Artificial e a Clonagem se colocam como demanda ética pela sobrevivência da sociedade.
           
Como não há sociedade sem estrutura, e essa estrutura se constitui a partir de um recalque, fica claro que esse novo recalque virá através de uma artificialidade, uma vez que atualmente para um humano fica insuportável, eu diria até, inviável, a assimilação de tamanha informação e manipulação de ferramentas tecnológicas a partir de um recalque natural.

É preciso logo, percebermo-nos como novos homens, inumanos, sem recalques, constituintes de um processo de abstração maquínica como reflexo do social, a fim de preservarmos, ainda, nossas capacidades inatas. A partir daí, a questão é: como nos definiríamos?

É impossível, hoje, pararmos a tecnologia para tentarmos manipulá-la conscientemente através de uma análise perceptível das conseqüências presentes. Houve um tempo em que se pode fazer essa análise, mas muitas coisas estavam em jogo obrigando-nos a prosseguir rumo ao infinito.

Torna-se urgente uma percepção tecnológica interna do humano como forma de nos elevar a categoria de inumanos como meios de resistirmos a um recalque artificial onde o inconsciente é uma usina de produção maquínica agenciada pelos desejos do próprio indivíduo, não mais pelo micro poder do social, além das terras de édipo, constituído através de objetos parciais, fragmentados, em oposição aos objetos completos que nos colocam como recalque, uma vez que o recalque nos fixa num significante que nos reduz a um inconsciente rebatido em papai e mamãe, limitando nossa capacidade de darmos conta de agenciar as parafernálias industriais de criação tecnológicas.
           
Perfeitamente adaptado, o ciborgue antevê a construção de subjetividades artificiais, procurando desde já descartar postulados fixos de significantes que acumulam espaços vazios que precisam ser preenchidos com dados novos de velocidade vetorial espiralada. Porém, não se trata de abandonar por completo o passado (natureza) e viver o rumo estelar. Ao contrário, trata-se de desenhar o passado numa base e depois, pronto, alçar voo; ir para o coletivo; para as multiplicidades descontinuas da tecnologia.

Analisando essa perspectiva pós-humana, fico imaginando como ficam nossas crianças neste tempo mítico, aliás, foi justamente pensando a nível de um filósofo educador, que deparei-me com bibliografias ricas em detalhes contemporâneos. Sempre desconfie de algum ponto no processo infantil que nos coloca em um caminho ardiloso de acúmulo de significantes ‘bélicos’ de uma história de gerações contínuas, impedindo-nos de descodificar tais significantes em prol de uma vida estrategicamente autentica. Decodificação essa que permite descartar, eliminar, recortar, sobrepor significantes.

Então não seria nosso desenvolvimento completamente esquizo, como especularam Deleuze e Guattari? Uma multiplicidade versátil, onde entra alguma lei política de recalque, através do imaginário, e estabelece a unidade que nos impede o acesso à inteligência em nome do poder e do saber? Como organizar em nossas crianças uma unidade política que a signifique (porque toda estrutura tem uma função política para uma organização social, uma política não partidária mas universal), num mundo onde cada vez mais se exige dela uma multiplicidade versátil? Ela abandona o ‘calidoscópio’ em nome da unidade significante e assim fica sem ferramentas para serem usada na adolescência, quando é justamente nessa fase que o mundo exigi que ela o conquiste, ou prossegue esquizoidemente decodificando significantes, fixando-se em vários pontos de um mapa em desenvolvimento intenso? 

Pessoas que aceitem a esquizofrenia como processo de agenciamento maquínico do desejo em meio aos avanços tecnológicos, numa decodificação dos fluxos de poder que coagem e emitem desejos, é o que precisamos. Deixemos ‘Narciso’ em favor de ‘Dioniso’, até porque a crise global, hoje, é da falta de um reflexo que nos unifique (recalque universal), que nos interprete, uma vez que esse reflexo não está mais em uma superfície cristalina e estreita, mas na multiplicidade ampla dos rostos da Metrópole. É a morte de ‘Narciso’ no lago e o nascimento de ‘Dioniso’ na ação versátil dos atos, onde se deve “Substituir a anamnese pelo esquecimento, a interpretação pela experimentação” (Deleuze & Guattari, MP3, p. 11)
           
Analisemos, pois, o caso Tom: um garoto de doze anos que não pára de brigar na escola. É filho de um casal que se separou quando o mesmo ainda era bebê, indo morar com a avó enquanto a mãe organizava a vida de solteira, para depois casar-se de novo e trazer o pequeno Tom de volta para conviver com o seu novo padrasto. Tom o tempo todo parece jogar com a vida, busca e encontra um referencial de poder masculino, ‘Heil Hitler’, exclama ele no mais puro deliro histórico para poder agir num mundo hostil.

Tom: “Eu sei por que fiz isso. Eu, na verdade, não cuspiria na bandeira. Eu sou um bom americano. Eu tenho respeito bastante pela bandeira para não cuspir nela. Mas é isso que eu fiz. Eles me atacaram em turma e me bateram. Tinha muitos contra mim.”(Axiline, 1984, p. 41)

Tom age contra a bandeira como se de alguma forma visse no patriotismo uma guerra onde o ego se inflama diante de uma nação soberana. Se rebela contra o poder, mas não se coloca contra a sua nação alegando ser um bom americano com um ar de herói que deseja salvar a si mesmo e os outros da coação do poder, sabendo também que para isso só é possível através da obtenção de tal poder, por isso apoia-se na figura de Hitler, “A turma me atacou porque eu disse que cuspi na bandeira e disse ‘Heil Hitler’”(p.41).

Ele não tem consciência do porque ter agido assim, mas que algo da trama do desejo inconsciente lhe é perceptível, isso é. Parece saber que cada atitude sua é uma experimentação do acaso que deve ser capturada nos instantes, velozmente, longe de qualquer interpretação, afetando as pessoas a sua volta e sendo afetado por elas. “Eu poderia fazer um punhado de peças engraçadas só com as embrulhadas em que me meto. Minha autobiografia dá pra chorar” (p. 43). Corre, salta cercas, entra por passagens secretas com seus fantoches, sabe que não pode parar, procura todos os tipos de artimanhas que proporcione seu desenvolvimento. Há de se lamentar por não querer saber tanto assim na representação de sua personagem Ronny diante do pai: Ronny: “Eu sou um espertalhão? Eu odeio a min mesmo por ser um espertalhão” (p. 46).
           
A maneira como Tom manipula a complexidade de seus fantoches é inteligentíssima, onde todo instante parece armar estratégias políticas para que ninguém a roube dele, a começar pelas figuras de autoridade representadas por rostos masculinos. Tom sabe que não é burro, apenas se protege da hostilidade escolar em nome de sua autonomia.

Pai: “Se apronte e vai para escola”.
Ronny: “Eu não quero ir para a escola. Eu não gosto da escola. Além disso eu... eu... estou com dor de barriga”.
Pai: “Dor de barriga? Você é um mentiroso. Você é burro. Não aprende nada na escola”.
Ronny: “Porque é que eu não aprendo?”.
Pai: “Porque você é burro. Você é o branco mais burro que já vi”.
Ronny: “Eu não sou burro. Eu vou te mostrar. Eu vou... eu vou... eu vou... bem, eu vou...”. (Axiline, 1984, p.45)

Tom, uma criança tecnológica que tenta através de ações políticas se estabelecer num presente descontinuo frente a um passado incerto, no que diz respeito a um futuro que pode ser construído, modificado, em vista de um passado que não se altera, está lá e lá pode ficar. Calidoscópio que decodifica e sobrecodifica os significantes numa constante reelaboração de si mesmo perante o mundo, dando-lhe a percepção do que há por traz das coisas através de uma política infantil delirante, nada inocente – eis o seu mapa!


Tom: “Sabe? Eu sempre tinha um mapa mas perdi ele. (...) Eles me tomaram ele. Me expulsaram da estação. Aqueles sujos serventes me devem cinco dólares. Veja você, eu estava só um pouco atrasado e deixei escapar uns fregueses e perdi meu mapa. Mas eu não me importo. (...) Sim. É o que eu digo. Isto me deixou fulo da vida, mas por mais que eu me importe não digo para não dar o braço a torcer. (...) Sim. Eu não quero dar a eles nada que possam tirar vantagem de mim. (...) Claro. Eu sei disso. É o que eles fariam. (...) É assim que é”. (Axiline, 1984, p. 51)

Tom não se importa, porque “O mapa não reproduz um inconsciente fechado sobre ele mesmo, ele o constrói. (...) O mapa é aberto, é conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, suscetível de receber modificações constantemente” (Deleuze & Guattari, MP1, p. 22).
           
Durante os estudos de ludoterapia, observei e, foi bastante enfatizado, a constante interferência dos pais nos problemas das crianças, como se elas tivessem sempre que corresponder com as suas expectativas numa tentativa de suprir-lhes as frustrações que implicam os significantes.


No entanto, não se trata de inventar uma nova estrutura psíquica, promover surtos, rebeliões, terrorismo ou qualquer coisa do gênero, ao contrário, trata-se de nos situarmos em uma região morta de significantes, inserida num caos, povoada por subjetividades em linhas com processos de criação maquínica capitalista, esquizofrênicos revolucionários esperando por uma ajuda para construírem seus mapas, a partir do ponto em que deixamos (a racionalidade científica). Apoio esse que não se limita a instituições, mas está nas pequenas ações morais organizadoras de multiplicidade, numa reação em cadeia com toda a humanidade na construção de um mundo melhor.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Full Soundtrack I Origins

SE_NARCISO_NÃO_CAI_NO_LAGO,_O_LAGO_CAI_SOBRE_NARCISO!

Através do mito de Narciso e referencias a teoria fenomenológica de Kierkegaard, é possível analisar o salto que a humanidade deu, do ponto de vista histórico, da Idade Média para a Sociedade Moderna e Pós-modema. Narciso se vê no lago e morre de amor por si mesmo, passa a adorar a superfície do seu reflexo num culto a estética, rumo a novas descobertas de ver o mundo. Alcança a beleza máxima e a partir daí não pode mais fugir da atração magnética que sua imagem exerce sobre si mesmo puxando-o direto para o fundo do lago.

Tenta fugir de tal atração usando mil artifícios através de postulados fixos da Física Clássica, mas é inútil uma vez que o lago forma uma onda gigante com o advento da Física Quântica e submerge toda a superfície das metrópoles onde até então ele se sentia seguro. Tentará então agora renascer como Dioniso e juntar toda a fragmentação do seu corpo que agora é virtualmente fluido num resgate a natureza orgânica há muito esquecida pela estética da sua beleza superficial.

Olhemos para trás, e rebusquemos a morada feudal da Idade Média onde todos nós estávamos protegidos e sendo cuidados pelo grande senhor feudal com seus enormes hectares de terra e bem no meio disso tudo uma belíssima igreja que nos dava a salvação pós morte. Corpos bem protegidos para não estimular o desejo; trabalhos pesados para recompensar o pecado de ter nascido; ordens que vinham do céu.

No fim do século XV, na baixa Idade Média, surge um movimento comercial e cultural como forma de libertarmo-nos das ordens pagãs da religião que nos escravizava - o renascimento. Esse movimento nos deslocava para um ponto em nós mesmos que até então não era permitido ser expressado - o tato. A liberdade de tocar nas coisas como forma de apreciar a beleza em si mesma, remete o homem ao seu instinto dando-lhe uma percepção diferente de si e consequentemente da realidade em sua volta, é o chamado estágio estético que Kierkegaard postulou como primordial para o fenômeno da existência. Estaria a humanidade pela primeira vez alcançando o fenômeno? E estaria ela preparada para tal feito? Que consequências implicaria essa liberdade?

São três estágios, segundo Kierkegaard, para se alcançar o fenômeno da liberdade: Estético - através dos sentidos sensoriais do corpo como: tocar, olhar, saborear, ouvir. O homem extrai uma experiência única para si, remetendo-o a uma nova percepção da realidade e de si mesmo. Ético - terá que por limites nas experiências estéticas como forma de poder administrar tal liberdade de expressão corporal através dos sentidos, se não quiser cair em um vazio total devido as inúmeras fronteiras que são rompidas pelas experiências. Ou seja, é preciso um momento de reflexão para elaborar no raciocínio as experiências. Religioso - por fim, após momentos de reflexões sobre as experiências adquirindo-se assim uma ética, vem a certeza de que por trás disso tudo há uma força maior que governa tudo dentro e fora do homem conectando-o com o universo na mais alta afirmação de suas condutas.

Isso tudo deixa de ser teoria e passa a ser um fato, no que diz respeito ao movimento comercial burguês que coincide com o renascimento, dando força ao momento de transição da percepção da realidade, uma vez que os burgos vendiam especiarias que promoviam à estética. A partir desse momento a humanidade, através desse estágio, ultrapassaria fronteiras nunca antes imaginadas, como é o caso da percepção Iluminista que com seus postulados científicos nos colocam estacas fixas nesse processo de experiências ilimitadas pelas sensações, estabelecendo uma "ética" , onde a manipulação de tais leis físicas seria a grande fé da humanidade.

No entanto essa ética estaria longe de ser uma reflexão sobre as percepções adquiridas através da experiência estética, isto porque não se mediu esforços para explorar os recursos naturais do planeta em nome da estética baseado no paradigma das leis físicas, sem pensar de forma alguma sobre as consequências que isso iria causar a toda humanidade, principalmente com o advento da indústria e sua fabricação da beleza em série!

Tudo agora passa a ser imagem e semelhança do homem, onde a beleza das coisas criadas por ele e sua imagem diante de si mesmo refletida nessas coisas, estabeleceriam sua nova morada. Fixados na imagem que se via e podia tocar, precisava-se agora moralizar as pessoas para viverem nesta nova morada: Corpos estritamente eretos; vestimentas restritamente padronizadas; ajustes perfeitos da capacidade humana para trabalhar na indústria; negação da negação do Si-mesmo, ou seja, mais uma forma de dominação que só se difere da época medieval porque as ordens não mais vinham do imaginário, do Deus Pai todo poderoso, e sim do patrão todo poderoso, que o comercio renascentista Bruges criara e nos prendera na estética mecanicista - O homem criado a partir de linhas de montagem!

E assim prosseguimos com a morada fixa da imagem centrada no: eu = eu ≠ de você, onde a ciência partia para estudar os sujeitos de sua criação para prosseguir com o progresso de uma civilização dourada com a origem das primeiras escolas de psicologia. Por meado do século XIX um homem, que não mais aguentava a artificialidade e a fragilidade com que a ciência discursava, põe a baixo a fé científica e revela uma cultura de rebanhos dominada por uma moral judaica cristã que invadiu todos os corpos. Nietzsche nos fala da objetivação dos humanos e da subjetivação dos objetos, dando ao homem moderno uma falsa liberdade através da representação social.

Por mais belos livros que ele tenha escrito e ninguém tenha dado importância, classificando-o como louco, porque em uma sociedade objetivada para a produção de bens matérias quem consegue se subjetivar é um louco, não demorou muito para a própria ciência encontrar na prática o que Nietzsche havia dito em filosofia. A física clássica encontra sua morte ao descobrir que a matéria é constituída também de energia e não só de partículas sólidas como até então se havia pensado - o lago invade a cidade!

O segundo estágio da existência humana, a ética, se não veio ao homem por meio da reflexão, porque ele estava interessado em coisas fúteis e poder de dominar o outro através dessas coisas, veio justamente pela materialização da sua própria essência. A ciência através da física clássica reduz o homem a simples funções de produções de linhas de montagem, enquadrando-o em sistemas mecânicos até descobrir que toda sua energia agora poderia ser concentrada em um simples pacote - o quanta de energia.

Mas, o homem estava tão viciado em seu progresso que, é claro, não percebeu que a ética se colocava diante dele como uma esfinge que está pronta para revelar o segredo do universo, e sim viu nessa descoberta uma revolução no que diz respeito a evolução da engenharia mecânica - a tecnologia!

Fronteiras agora, tanto psíquicas quanto físicas, seriam rompidas para sempre com o advento da tecnologia, uma vez que informações seriam transmitidas para todo mundo em questões de segundos via satélite. A televisão seria o maior veiculo de comunicação e consequentemente de modelação para conter as infinitas possibilidades de compreensão das informações que agora seriam circuladas com fácil acesso.

Isso se dá por volta do final do século XIX e começo do século XX, onde a psicologia estava se estruturando com a escola behaviorista de Skinner, que através de condicionamentos operante tentava estudar e modelar o comportamento do homem partindo da premissa que o homem é uma tábua rasa e que aos poucos vai sendo preenchido nesse homem condutas da sociedade num processo de socialização educacional.

Logo após isso surge a Psicanálise de Freud, devido à demanda de distúrbios mentais que rondava a psiquiatria, postulando que o homem tem conteúdos, mas que esses conteúdos lhe são completamente inconscientes e estruturados em três fases psico-sexuais na infância, através de três pontos erógenos do corpo do bebé : boca; ânus e genital. Vale salientar que esses estudos psicológicos surgem a partir de uma demanda social por uma nova morada no que diz respeito às novas descobertas científicas e consequentemente, novos sintomas de doenças mentais, onde elas surgiram para um progresso mais seguro em respeito ao homem dessa sociedade.

Com isso a psicologia se eleva a categoria máxima de projeção social perfeita, ficando difícil não inflamar o ego narcisticamente uma vez que o nosso progresso é puramente estético. Portanto nós, estudantes de psicologia, temos que nos cuidar, no que diz respeito a nossa formação, diante dessa classificação, que é para não dificultar nossa prática, achando que tudo está pronto nas teorias só esperando a hora para serem aplicadas, até porque muitas coisas já aconteceram de lá pra cá, e o que está se percebendo atualmente é uma demanda na confusão das informações da era tecnológica que está gerando um vazio imenso no homem visto que tudo é virtual e descartável, inclusive o próprio sujeito. E com certeza isto ainda não está nos livros.

Já é sabido que a Psicanálise só se sustenta hoje devido a sua reformulação por Lacan, que vai estruturar o inconsciente do homem a partir da elaboração da linguagem, proporcionando, a esse sujeito, toda uma estrutura social que lhe proporcionará uma liberdade de ir e vir para onde quiser, ou seja, as estruturas fixas (id;ego;superego) que Freud postulou como fronteiras do recalcados no inconsciente, foram afrouxadas com os avanços tecnológicos devido a imensa gama de desejos possíveis de serem realizados a partir dos agenciamentos dessa linguagem. A nova morada ética se dá agora no próprio sujeito - "a liberdade!"

As pessoas hoje estão se sentindo mais independentes, pensando elas que estão tendo total controle sobre suas ações. Mas, no fim do dia fica uma interrogação se realmente elas controlam ou são controladas, uma sensação de não estarem tocando em nada verdadeiramente sólido. Na era da informação tecnológica pressuposta no novo paradigma, a física moderna abre possibilidades plausíveis para tais práticas psicológicas, uma vez que agora a realidade não se funda mais em tudo que tem peso e medida e sim naquilo que me seduz: o cheiro, o sabor, a imagem. Tudo é virtual. Imediato!

É como se literalmente Narciso tivesse caído no lago. Deixou para trás a terra firme, os parâmetros, e agora vive ao sabor do infinito renascido em Dioniso onde terá que se reestruturar a partir das coisas que estão ao seu redor, através das sensações corporais como um filtro que armazena só informações precisas para se constituir como um novo homem de posse de suas faculdades naturais espalhadas no coletivo.


É preciso que os psicólogos vejam esse sujeito virtual da nova cultura como algo que foi montado e que de repente despencou, espalhando-se com todas as suas peças pelo chão, ou melhor no fundo do lago, para daí ajudá-lo a se remontar através das multiplicidade de suas peças espalhadas na biodiversidade coletiva, eu = a você.